Anotações de Flávio Bolsonaro para o debate da TV Globo indicam a intenção de projetar uma imagem de “estadista” e falar diretamente às eleitoras. O documento também reúne temas econômicos e de segurança pública.
As páginas foram fotografadas pela reportagem quando o senador embarcava de Brasília para o Rio de Janeiro, em 23 de outubro de 2026. Segundo o relato, a estratégia mudou após críticas à postura combativa adotada no debate de 18 de outubro.
Flávio Bolsonaro não concedeu entrevista à imprensa no aeroporto. O debate da TV Globo estava previsto para ocorrer no Rio de Janeiro, na mesma data do embarque.

O material combina pontos impressos e anotações à caneta, organizados por regiões do país. As notas abordam a comunicação com eleitoras, custo de vida, segurança pública e propostas para diferentes partes do Brasil.
Estratégia de Flávio Bolsonaro mira eleitoras e imagem de estadista
No topo direito das anotações, a palavra “estadista” aparece circulada, sinalizando a imagem que Flávio Bolsonaro pretendia projetar. O material também registra uma orientação específica para abordar as mulheres, grupo em que, segundo a referência, sua rejeição é maior.
Entre as instruções escritas à mão estão “Mulheres – falar para elas”, “preço do mercado – falar para elas” e “segurança – falar para elas”. A campanha já vinha tratando do custo de vida e da insegurança, mas as notas indicam que esses assuntos seriam apresentados a partir de seus efeitos sobre mulheres e mães de família.
O foco nos preços aparece associado a situações cotidianas, com expressões como “salário acaba antes do mês” e “última vez no mercado”. As anotações conectam esse argumento econômico à tentativa de falar diretamente com eleitoras durante a participação de Flávio na TV Globo.
Anotações organizam temas e propostas por regiões do país
O formato previsto pela TV Globo reservava o primeiro bloco a seis rodadas, com assuntos regionais e um tema prioritário de alcance nacional. Cada candidato teria três minutos em cada rodada, distribuídos entre pergunta e réplica ou entre resposta e tréplica.
Para o Centro-Oeste, as notas contrapõem “agro forte” a “fascista” e incluem a frase “quem produz tá quebrado”. Flávio deveria criticar o governo Lula por não destinar recursos suficientes à região, mencionando contingenciamento, juros e insegurança jurídica, além de defender mais armazéns para a produção.
No Sudeste, o eixo anotado é a alta dos preços. Para a segurança pública, o documento prevê integração com governadores e prefeitos aliados e a expansão nacional do Smart Brasil, sistema de monitoramento por câmeras inspirado no Smart Sampa, da Prefeitura de São Paulo; uma reportagem citada na referência informou que uma falha permitiu acesso indevido a 58 mil câmeras do programa.
As notas para o Nordeste reúnem segurança, energia, irrigação e a proposta de manter o Bolsa Família em R$ 600 para quem trabalhar. O candidato deveria citar que, segundo o Anuário de Segurança Pública, as 10 cidades mais violentas do Brasil ficam na região, incluindo Maranguape e Maracanaú, no Ceará, e Eunápolis, na Bahia. Para o Sul, aparecem as chuvas, obras de prevenção e, em Porto Alegre, diques, comportas e bombas de água; em Foz do Iguaçu, há menção a “células de terrorismo”. Na região Norte, a anotação contrapõe asfalto a lamaçal e atoleiros.


